Avaliação
Aneel põe CEEE Equatorial como segunda pior empresa de distribuição do País
Empresa que leva energia aos municípios do sul do Estado aparece mais uma vez entre as últimas colocadas em relatório anual
Foto: Jô Folha - DP - Levantamento tem como parâmetros a frequência de interrupção de abastecimento de energia elétrica e o tempo a ser restabelecido
Heitor Araujo
heitor.araujo@diariopopular.com.br
A CEEE Equatorial aparece como a segunda pior entre as grandes empresas de distribuição de energia elétrica no Brasil, de acordo com relatório divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na última semana. O levantamento tem como parâmetros a frequência de interrupção de abastecimento de energia elétrica e o tempo a ser restabelecido, em um cálculo que gera o índice DGC (Desempenho Geral de Continuidade).
A concessionária, que distribui energia a toda a metade sul do Rio Grande do Sul, incluindo a capital Porto Alegre, a mais de 3,7 milhões de pessoas, está à frente apenas de outra administrada pelo grupo Equatorial, no estado de Goiás. A má colocação da CEEE, no entanto, não chega a ser novidade: está entre as últimas desde 2018.
A Aneel realiza este levantamento desde 2011, com um índice estabelecido por um cálculo entre a frequência de queda e as horas sem abastecimento de energia. Quanto mais próximo a zero, melhor avaliada é a empresa.
No ano de 2023, a CEEE Equatorial teve índice de 1,63, enquanto a empresa melhor avaliada, a CPFL Santa Cruz, de São Paulo, teve 0,56. A Neoenergia, que esteve ranqueada logo à frente da Equatorial, teve índice de 0,96. Foram 29 companhias monitoradas, as que prestam serviço a mais de 400 mil unidades consumidoras.
Desde que privatizada, em 2021, pelo valor de R$ 100 mil, a CEEE-D tem sido alvo de constantes reclamações e longos períodos de falta de abastecimento. O tema, inclusive, foi alvo de tentativas de CPI na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul pela oposição ao governo do Estado, que critica a venda da Companhia. O governador Eduardo Leite (PSDB), no entanto, alega que, apesar de ainda não ser o esperado, o serviço da CEEE privada melhorou.
Desempenho CEEE em relatório de abastecimento de energia divulgado pela Aneel
Ano - posição ceee/total de empresas - índice DGC (relação entre frequência de queda e recuperação de abastecimento)
2012 - 28/35 - 1,06
2013 - 30/35 - 1,37
2014 - 33/36 - 1,73
2015 - 27/36 - 1,22
2016 - 27/32 - 1,29
2017 - 29/33 - 1,36
2018 - 29/30 - 1,19
2019 - 29/29 - 1,52
2020 - 29/29 - 1,7
2021 - 29/29 - 1,67
2022 - 29/29 - 1,57
2023 - 28/29 - 1,63
Monitoramento
O abastecimento de energia elétrica é regulado no Estado pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs). De acordo com o gerente de energia e gás canalizado da Agência, Alexandre Jung, a queda de desempenho da Equatorial no último ano é vista com preocupação, uma vez que a empresa aproximou-se do índice negativo de 2021.
Segundo Jung, o histórico mau desempenho da distribuição de energia na metade sul do Estado é decorrente de anos de baixo investimento, uma vez que a qualidade do serviço está intimamente ligada à manutenção e infraestrutura de rede. "Esse ritmo de desaceleração nos investimentos prejudicou as condições das infraestruturas existentes, pois essas não foram renovadas. Logo, a confiabilidade das instalações decaiu, prejudicando a qualidade do serviço", explica.
Desde que a Equatorial assumiu a CEEE, a Agergs já aplicou três multas à empresa, um agregado de R$ 57 milhões. A Agência também solicitou ações de melhorias à distribuidora, que, segundo Jung, "incluem investimentos em redes, subestações e automações do sistema elétrico, bem como a realização de manutenções, especialmente na questão do manejo da vegetação e disponibilização de equipes".
O gerente da Agergs afirma que as ações foram implantadas pela empresa, mas algumas delas estão "aquém do esperado". "Fato é que a conclusão dos planos de resultados para os temas faturamento e de continuidade do fornecimento não se demonstraram satisfatórios ao final do ciclo de monitoramento", completa Jung.
População
Entre a população em geral, a percepção é de perda na qualidade no serviço. Nos últimos dois anos, são recorrentes as matérias do Diário Popular sobre reclamações referentes a longos períodos sem abastecimento de energia, especialmente nas áreas rurais, que significam prejuízos aos produtores.
Em agosto do ano passado, a reportagem fez matérias mostrando famílias que chegaram a ficar 15 dias sem luz. Em fevereiro, um produtor de leite do Capão do Leão relatou que perdeu maquinário devido às constantes quedas de luz durante uma tempestade. Foram mais de cinco dias sem energia elétrica. Como resultado, teve que jogar fora grande parte da produção. Dezenas de outras famílias também foram afetadas.
No ano passado, em dezembro, a Prefeitura de Candiota decretou situação de calamidade pública pela falta de luz, que se manteve por vários dias. Sem energia elétrica, o abastecimento de água do Município também foi afetado.
Já em setembro, quase 30 mil consumidores ficaram sem energia elétrica após mau tempo. Em julho, a falta de abastecimento atingiu mais de 105 mil residências, situação que também levou dias para ser resolvida. Neste mesmo período, os moradores sem luz revoltaram-se e ocuparam a BR-293, após 11 dias sem energia elétrica.
Carregando matéria
Conteúdo exclusivo!
Somente assinantes podem visualizar este conteúdo
clique aqui para verificar os planos disponíveis
Já sou assinante
Deixe seu comentário